16 dezembro, 2025
A felicidade é um efeito colateral.
“Não busque o sucesso. Quanto mais você o busca e o transforma em um objetivo, mais você irá errar.
O sucesso, assim como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer.”
— Viktor Frankl
Viktor Frankl não escrevia para produzir frases confortáveis ou slogans de autoajuda. Ele escreveu a partir da experiência extrema da "sobrevivência no inferno" nos campos de concentração, tentando responder à única pergunta que realmente importa quando tudo é retirado: por que continuar vivo?
No meu consultório, atendo diariamente pessoas exaustas, não pelo trabalho em si, nem pelas tragédias inevitáveis da vida, mas pela obrigação tirânica de ser feliz. A cultura contemporânea transformou a felicidade em uma métrica de desempenho, um troféu emocional. Quem não o alcança passa a se perceber como inadequado, fracassado, insuficiente.
Isso é um erro conceitual grave.
Na Logoterapia, Frankl descreve esse fenômeno como hiperintenção. Quanto mais o indivíduo tenta capturar diretamente um estado subjetivo, prazer, felicidade, realização, mais esse estado se afasta. A felicidade não responde à perseguição, ela surge, quando surge, como um efeito colateral, não intencional, de uma vida orientada pelo sentido.
Ela aparece quando o sujeito se desloca do próprio ego e se dedica a algo maior: uma causa, um trabalho feito com responsabilidade, um vínculo genuíno, o cuidado com outro ser humano. Esse movimento chama-se autotranscendência.
Enquanto a vida gira em torno da pergunta “eu estou feliz agora?”, a resposta tende a ser negativa. O foco excessivo em si mesmo corrói o sentido. A felicidade não tolera ser o centro da cena.
O convite de Frankl é simples, mas profundamente exigente: pare de persegui-la. Assuma suas responsabilidades, sustente seus compromissos. Construa algo que faça sentido independentemente do seu humor do dia.
A felicidade pode até não vir, mas você terá algo muito mais sólido: uma vida que se sustenta mesmo na ausência daquela.